
Somos andarilhos de terras errantes
Galopamos montes,
Percorremos trilhas,
Descobrimos caminhos,
Preferimos (todavia) os atalhos
Visualizamos vales - embrenhamos por precipícios
Desejamos os cumes - escalamos penhascos
E lá do alto, ecoamos os nossos gritos
Como sonhadores, cultivadores, desbravadores...
Como sobreviventes
Mas, depois de tantos sóis vividos, nos silenciamos...
Viramos selvagens, loucos, poetas!
E encontramos, nesta ausência sonora, todos os sons
Os sons da vida inteira, a inteireza do sons!
Descobrimos que vivemos chegando e partindo
Achando e perdendo, vivendo e renascendo
E que a melodia da vida bate
Dentro de um coração desritmado
Não pense que essa poesia é medíocre
Nem que estou gastando versos para falar que o que
Buscamos está dentro de nós mesmos...
Em nós só há nós!
Vivemos para desatar as amarras que nos aprisionaram
A tudo que é importantemente superficial na vida:
Lâmina ignóbil, ígnea, ignífera...
Passamos quase toda a vida tentando mudar o mundo.
Até que numa bela tarde, tempestuosa,
Percebemos que é o mundo que muda a gente!
Que o mundo é um grande laboratório de gente
E que gente se contamina de gente
E que gente é doença e antídoto que cura gente
E que somos, inevitavelmente, nossa última espécie...
Afinal, o entardecer não poupa ninguém,
As janelas se fecham,
Todos dizem amém.






