sábado, 30 de maio de 2009

VIAJANTES DE NÓS MESMOS

Somos andarilhos de terras errantes

Galopamos montes,

Percorremos trilhas,

Descobrimos caminhos,

Preferimos (todavia) os atalhos

Visualizamos vales - embrenhamos por precipícios

Desejamos os cumes - escalamos penhascos

E lá do alto, ecoamos os nossos gritos

Como sonhadores, cultivadores, desbravadores...

Como sobreviventes

Mas, depois de tantos sóis vividos, nos silenciamos...

Viramos selvagens, loucos, poetas!

E encontramos, nesta ausência sonora, todos os sons

Os sons da vida inteira, a inteireza do sons!

Descobrimos que vivemos chegando e partindo

Achando e perdendo, vivendo e renascendo

E que a melodia da vida bate

Dentro de um coração desritmado

Não pense que essa poesia é medíocre

Nem que estou gastando versos para falar que o que

Buscamos está dentro de nós mesmos...

Em nós só há nós!

Vivemos para desatar as amarras que nos aprisionaram

A tudo que é importantemente superficial na vida:

Lâmina ignóbil, ígnea, ignífera...

Passamos quase toda a vida tentando mudar o mundo.

Até que numa bela tarde, tempestuosa,

Percebemos que é o mundo que muda a gente!

Que o mundo é um grande laboratório de gente

E que gente se contamina de gente

E que gente é doença e antídoto que cura gente

E que somos, inevitavelmente, nossa última espécie...

Afinal, o entardecer não poupa ninguém,

As janelas se fecham,

Todos dizem amém.

Fabiola Vasconcellos P. Sampaio(Mãe), 28/07/04